Por categoria | Política

“As medidas estão mal direccionadas”

“As medidas estão mal direccionadas”

O Governo anunciou um conjunto de medidas de austeridade que vêm complementar o Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC). Entre elas estão o aumento dos impostos (IVA, IRC e IRS), cortes nos salários, redução dos subsídios e aumento dos preços dos bens de consumo.

José Sócrates anunciou estas medidas em conferência de imprensa, na semana passada, depois do Conselho de Ministros e de uma reunião com o líder da oposição, Pedro Passos Coelho. O objectivo é reduzir o défice para 4.6% até final de 2011.

O primeiro-ministro explicou as medidas: “O esforço tem de ser feito por todos em duas partes iguais: o esforço do Estado com redução da despesa e a última metade distribuída pela sociedade, com aumento de impostos.”

Manuel Zarcos, reformado, reconhece que é necessário fazer alguma coisa, mas não desta forma. O ex-professor defende que “as medidas estão mal direccionadas, deviam ser direccionadas para quem ganha mais”. E acrescenta: “Os poucos que trabalham é que suportam as despesas. Há que reduzir o pessoal que não produz. Não acredito que isto mude nem que iremos sair da crise.”

Um outro professor reformado, que passeava no centro de Abrantes, prevê um futuro difícil, sobretudo para os mais novos: “Os jovens é que vão sofrer na pele. Em vez de comer a maçã vão comer a casca.” Na sua opinião, seria mais importante alterar toda a oferta de ensino superior, encerrando cursos que não têm saídas profissionais e criando outros “de acordo com as necessidades do país, em conjunto com grandes empresas que pudessem garantir estágios aos alunos e, consequentemente, emprego.” Assim “seria possível auxiliar a economia do país”.

Maria Perpétua, doméstica, assumindo aquela que poderá ser a opinião generalizada dos portugueses, “acha mal” cortarem nos salários das pessoas, mas concorda com os cortes nos vencimentos dos governantes. “Nos pequenos é que não!”

Relativamente ao aumento do IVA e do consequente agravamento dos preços, Manuel Zarcos defende que “mexer nos bens de consumo é horrível”. O professor reformado lamenta a inércia dos portugueses e diz mesmo que “o povo é estúpido”. Argumenta que as pessoas “são capazes de estar três dias numa fila para ter um bilhete para o futebol, mas se estiverem dez minutos à espera no centro de saúde já reclamam”.

Ana Silva, João Ruela e Vanda Botas

Este artigo foi escrito por:

Este autor já escreveu 2 Artigos no Esta Jornal.

Estudante de 2º ano de Jornalismo na Esta

Faça aqui o seu comentário:

Publicidade
Dossier Kosovo

Multimédia

Arquivo