No quartel de Santa Margarida, no campo de tiro D. Pedro, o dia estava meio cinzento e esperava-se que não chovesse. Os militares desejavam que tudo corresse como estava planeado, na apresentação dos novos carros de combate, os Leopards. No último dia do exercício Rosa Brava 2010, 22 de Abril, os Leopards lançaram as suas primeiras munições.
Ao longo de todo o exercício foram o Tenente-coronel Pedro, Tenente-coronel Salgado e o Capitão Maria que explicaram ao pormenor o que se iria passando. “Todos os meios a que ireis assistir, estiveram presentes no exercício Rosa Brava 2010”, revela o Tenente-coronel Pedro antes do início da simulação.
A ansiedade de todos era visível. Os corações batiam, os olhares percorriam todo o espaço onde a manobra se iria desenvolver. De repente o primeiro disparo. “O inimigo descobriu-nos e começou a atacar”, diz o Tenente-coronel Pedro. Antes da aparição dos tão esperados carros Leopards, foram apresentados os F-16 AM, aviões que faziam o reconhecimento do local inimigo.
Toda esta operação teve uma duração de 40 minutos. Quem se encontrava a assistir poderia ouvir todas as indicações dadas entre os F-16 AM. Os disparos eram ensurdecedores.
Os Leopards foram adquiridos ao exército holandês, entre Outubro de 2008 e Dezembro de 2009. Actualmente, o número total de carros de combate Leopards 2 A6 são 37. Foram lançadas, por estes carros, meia centena de munições de invólucro plástico e projéctil sem explosivos de instrução DM 115. “Nem todos os 37 carros de combate estão prontos a 100%, ainda, para estar no teatro de operações”, revela o General Pinto Ramalho.
Só os militares de Santa Margarida têm estes carros de última geração. O 2º Esquadrão do Grupo de Carros de Combate da Brigada Mecanizada já está a treinar com os Leopards.
“Há um ano, o nosso objectivo era neste Orion termos um esquadrão de Carros de Combate Leopard 2 A6 operacional, para que pudesse funcionar activamente no exercício de Orion”, revela o General Pinto Ramalho, acrescentando: “Este é um passo extremamente importante na concretização deste objectivo”.
Segundo o General, este “é um passo muito positivo em termos de avanço tecnológico do exército e em particular da Brigada Mecanizada”. O exército tem “vindo a participar em todas as NNIS com aquilo que são, em cada momento, as opções do país à sua participação e isto é, agora, é uma atitude concorrente”.
“O exército tem uma expectativa, de poder alienar a ordem dos 60 carros de combate M60 com vista a aumentar o número dos Leopards 2 A6”, acrescentando um desejo de “ter mais 18 carros de combate Leopards”, embora reconheça que este é um “processo que tem exigências financeiras, que nem sempre são fáceis de concretizar”.
Esta necessidade de aquisição de carros de combate explica-se pelo facto deste “exército ter uma dimensão adequada à estratégia do país, e ter um conjunto de forças extremamente equilibradas”.
Forma de aquisição:
O processo de aquisição dos Leopards começou em Setembro de 2007. O entendimento entre Portugal e Holanda, mas envolvendo também a NATO, foi assinado o contrato de aquisição, em 29 de Janeiro de 2008, em Lisboa. Depois da assinatura foram transferidos um grupo pequeno de militares e sargentos para a Holanda. Em Outubro de 2008 começaram as transferências dos carros blindados Leopards. Todo este processo terminou em Dezembro de 2009. Para além dos 37 Carros de Combate, foi também adquirido mais um, apelidado de “buggy”, adaptado para a instrução de condução. Um “39º em peças” e material diverso como mais do que um lote de sobressalentes. Para concluir o contrato com o Exército Holandês, o que aparentemente está para breve, apenas falta que Portugal adquira um conjunto de munições.





