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Rui Cardoso Martins, autor de referência em Abrantes

Rui Cardoso Martins, autor de referência em Abrantes

Rui Cardoso Martins esteve na Biblioteca António Botto, em Abrantes, na passada quinta-feira dia 6. O mote foi o seu livro “E se eu gostasse muito de morrer”, lançado em 2006. Já na quarta edição, e apesar de já ter lançado um novo romance em 2008, “Deixem passar o homem invisível”, Rui aceitou a convite do director Francisco Lopes, para estar presente e falar sobre o seu primeiro livro.

O autor explora o suicídio no Alentejo, onde podemos encontrar histórias repletas de humor negro. Rui Cardoso Martins explica: “Para falar neste tema, pensei usar uma arma improvável, o humor”. O resultado são várias histórias reais que foi juntando em pequenos contos. “Procuro aplicar a máxima do humor não para aligeirar, mas sim para aprofundar”, acrescenta.

Tendo nascido e vivido no Alentejo, Rui contou como o tema surgiu: “Quis reflectir o meu crescimento, perceber como achei normal três pessoas da minha escola terem cometido suicídio”. O autor sente que há uma série de razões que precisam ser explicadas. “Alguns dos acontecimentos que aqui estão parecem absurdos. Fui buscar exemplos que vejo, mostro o que está à minha volta, não tendo nada contra com quem sabe imaginar”, refere.

Outros temas são também abordados no livro. Cardoso Martins escreve sobre os pais que compensam a falta de tempo para os filhos com bens materiais, na fuga das pessoas para os supermercados, na falta de objectivos das mesmas e até no índice de alcoolismo nos jovens. “Somos mais dados à quinta imperial, que ao Quinto Império”, explica.

O autor, com um percurso de referência, do jornalismo à escrita de argumentos de cinema, até à criação da Produções Fictícias, caracteriza o seu estilo de escrita como sendo rigoroso, seco, mas ao mesmo tempo complexo. “Escrevo como me falam as palavras na cabeça”, diz.

Luísa Loureiro, uma das pessoas presentes na biblioteca, estando a terminar de ler o livro, confessou que o que mais lhe chamou a atenção e interessou no livro: “O autor encontra-se muitas vezes com os personagens e deixa transparecer alguma revolta com o que escreve”. A leitora consegue ainda encontrar uma semelhança com a escritora Virgínia Wolf.

Quando escreveu o livro, Rui Cardoso Martins não tinha ainda experiências próximas e pessoais com o luto, que viria a viver de perto com a recente morte da sua mulher. Ainda assim, vê o livro como uma forma de enfrentar e reflectir sobre a morte. “Olhos são buracos de filtrar tragédia num fio de luz, um dia os nossos”, cita do seu livro.

Rui Cardoso Martins terminou a conversa mostrando satisfação pela receptividade em Abrantes: “Fico feliz de perceber que o livro continua a ser lido”.

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Este autor já escreveu 7 Artigos no Esta Jornal.


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