A Selecção Portuguesa sobrevoou o mar mediterrâneo para disputar o quinto Mundial da sua história. Será em solo sul-africano que a formação orientada por Carlos Queiroz fará os (im)possíveis para conquistar o troféu.
Apesar das dificuldades sentidas e assumidas na fase de apuramento, a equipa das quinas assegurou o passaporte para a mais prestigiada prova do futebol mundial. Independentemente dos resultados obtidos no continente africano, está já é a melhor década de sempre na história lusitana, onde garantiu presenças em todas as fases finais dos Europeus e dos Campeonatos do Mundo de selecções.
Milhões de adeptos, 736 jogadores, 32 equipas, 48 jogos, um troféu. Ronaldo, Messi, Kaká, Rooney, Drogba, Eto’o, Gerrard, Torres, Rooney, Maicon, Robben (…) o adepto que estará sentado no sector 22, fila F, lugar 34 do estádio Nelson Mandela (…) a dona Amélia, que deixou o arroz ao lume para assitir ao penalty decisivo. Todos estão lá. Quem não está, está a acompanhá-lo do outro lado do mundo. De 11 de Junho a 11 de Julho, todos os caminhos vão dar a África e todos precorrem o caminho para a vitória.
A equipa das quinas está no Grupo G da competição. Portugal dá o pontapé de saída no Mundial dia 15 frente à Costa do Marfim. Dia 21 será a vez de medir forças com a Coreia do Norte. Por fim (esperemos que não o fim do Mundial), Portugal defronta o todo poderoso Brasil, dia 25 de Junho. No final, só uma selecção poderá erguer a Taça. Coincidência: nós queremos e não pretendemos partilhá-la com ninguém.
De Eusébio a Ronaldo, com Figo e Scolari
Actualmente, segundo o ranking da FIFA, a selecção nacional é considerada a 3ª melhor do mundo, ficando apenas atrás de Brasil e Espanha. Ainda assim, a hegemonia de talentos portugueses e de boas prestações nas grandes competições é, dentro do panorama do futebol mundial, recente.
A primeira vez que Portugal participou numa fase final de um Mundial data de 1966. No ano de estreia, a formação portuguesa surpreendeu tudo e todos ao terminar no pódio da competição. Liderados por Eusébio, a selecção venceu Brasil (com o mítico Pelé), Hungria e Bulgária na fase de grupos, batendo, depois, a Coreia do Sul nos quartos-de-final por 5-3. Nesse jogo, Eusébio entrou para a história do futebol mundial ao marcar 4 golos, que significaram a reviravolta no marcador, pois Portugal esteve a perder por 3-0. Nas meias-finais, a equipa acabaria por cair aos pés da anfitriã e futura campeã, a Inglaterra (2-1). No jogo de atribuição do 3º lugar, Portugal bateu a URSS por 2-1. Eusébio sagrou-se o melhor marcador da competição, ao apontar 9 golos.
Foram precisos esperar 18 anos para Portugal voltar à fase final de uma grande competições. No Euro de 1984, Portugal classificou-se num grupo que contava com Roménia, Espanha e Alemanha Ocidental, mas acabou por ser eliminado pela França nas meias-finais (3-2).
Dois anos depois, Portugal participava no segundo Mundial da sua história, mas seria afastado logo na fase de grupos. Apesar de ter vencido a Inglaterra, a selecção foi derrotada pela Polónia e por Marrocos, sendo automaticamente afastada da competição.
Novamente após um período de jejum (10 anos), Portugal voltou a disputar uma grande competição, desta feita, o Europeu de 96. Numa fase grupos que contava com Dinamarca, Turquia e Croácia, a formação das quinas conseguiu apurar-se para os quatros de final. Contudo, a selecção foi eliminado pela República Checa (1-0).
Após a mudança de milénio, a selecção portuguesa não mais falhou uma fase final de uma grande competição. No euro 2000, Portugal rubricou excelentes exibições, numa equipa onde alinhavam nomes como Figo, Nuno Gomes, Vitor Baía, Fernando Couto ou Rui Costa. Na fase de grupos, Portugal venceu a Inglaterra (3-2, após estar a perder 2-0), a Roménia (1-0) e a Alemanha com um hat-trick de Sérgio Conceição. Nos quartos-de-final, Portugal venceu com distinção a Turquia com um bis de Nuno Gomes. Contudo, Portugal viria a ser eliminado novamente pela França nas meias-finais, sendo derrotado por 2-1 após prolongamento, com um penalty de Zidane perto do final.
No ano de 2002, Portugal contava com o melhor jogador do mundo no auge da sua carreira: Luís Figo, ao qual se juntavam nomes como João Pinto, Rui Costa e Pauleta. Começando por perder por 3-2 com os EUA, Portugal manteve a esperança acesa ao golear a Polónia por 4-0, com Pauleta a fazer um hat-trick. Contudo, a formação portuguesa viria a perder com a Coreia do Norte por 1-0, ficando automaticamente afastada da competição. A partir daqui, nascia uma nova era para a selecção portuguesa.
Em 2004, e já com Luís Filipe Scolari no comando, a selecção portuguesa conseguiu a sua melhor marca de sempre, ao terminar o europeu na condição de vice-campeão. O Campeonato da Europa foi realizado Portugal, movendo toda a população em torno da equipa portuguesa. Para isso muito contribui Scolari, que uniu toda a população portuguesa com o seu discurso convicto e motivador. A selecção começou por perder na fase de grupos com a Grécia (2-1), mas qualificou-se ao vencer a Rússia (2-0) e a Espanha (1-0). Nos quartos-de-final, a equipas das quinas derrotou a Inglaterra por 6-5 nas grandes penalidades, após empate a 2-2 no prolongamento. Nas meias-finais, Portugal defrontou a poderosa Holanda e consegui vencer por 2-1. Na final, Portugal viria a defrontar precisamente a equipa com a qual havia perdido no início do campeonato: a Grécia. Quando todos esperavam que Portugal conquistasse o primeiro troféu internacional, os gregos venceram por 1-0.
A selecção portuguesa entrou no Mundial 2006 com o maior prestígio alguma vez registado na sua história. Com jogadores como Cristiano Ronaldo, Deco, Ricardo Carvalho, Simão e Maniche, a selecção portuguesa rubricou uma excelente campanha. Na fase de grupos, Portugal derrotou sem dificuldades Angola (1-0), Irão (2-0) e México (2-1). Nos oitavos de final, a selecção nacional venceu a Holanda por 1-0, perfilando-se como uma grande candidata à vitória final. Nos quartos-de-final, Portugal voltou a afastar a Inglaterra nas grandes penalidades (3-1), após um nulo no final dos 120 minutos. Nas meias-finais – e pela terceira vez – Portugal foi eliminado pela França, sendo derrotado por 1-0. À imagem do Euro 2000, a selecção perdeu devido a uma grande penalidade de Zinedine Zidane. No jogo de atribuição da medalha de bronze, Portugal perdeu com a Alemanha por 3-1, ficando-se pelo 4º lugar.
No Euro 2008, Portugal acabou por defraudar as expectativas. Na fase de grupos, a selecção portuguesa venceu a Turquia (2-0) e a República Checa (3-1), perdendo, depois, com a Suiça (1-3), numa altura em que já estava qualificada. Nos quartos-de-final, Portugal defrontou a Alemanha e acabou derrotado por 3-2. Scolari deixou o comando técnico da selecção, que viria a ser assumido por Carloz Queiroz.
No presente mês, Portugal parte para a África do Sul com as opiniões de críticos e adeptos divididos. As dificuldades que a selecção sentiu na fase de apuramento, as exibições pouco convincentes de Ronaldo e companhia e a polémica convocatória de Carlos Queiroz são algumas das razões que levam muitos adeptos a não prever uma boa prestação no Mundial. Ainda assim, milhares de adeptos acompanharam diariamente a selecção no seu estágio na Covilhã e mais de cem mil pessoas estiveram presentes na despedida da selecção, realizada no Parque Eduardo VII, perto da Praça Marquês de Pombal.
Na África do Sul, Portugal poderá contar com nomes como Ronaldo, Nani, Bruno Alves e Meireles, ao quais se juntam Simão, Carvalho e Deco, que estão perto de se retirarem da carreira internacional. Deco, aliás, já anunciou o seu abandono após o final da competição.
“Que estes navegadores deixem a sua marca em África” foi a frase com que Queiroz se despediu dos adeptos, antes de embarcarem para o continente africano. Os adeptos esperam que o seleccionador nacional saiba agarrar o leme da selecção. À conquista da África do Sul… e do mundo!





