O objectivo colectivo passa pela conquista do Mundial, mas as individualidades desempenharão papéis diferentes. Veja qual a funçãos e características de cada um dos seleccionados por Queiroz:
Eduardo – 12 Internacionalizações – Será o guarda-redes titular da selecção. Mereceu a confiança do seleccionador ao longo de todo o apuramento e nada leva a querer que este mude de opção.
Beto – 1 Internacionalização – Suplente no FC Porto, acabou por merecer a confiança de Queiroz graças ao trabalho desenvolvido nos treinos da selecção. Será a segunda opção para a baliza.
Daniel Fernandes – 2 Int. – A chamada do jovem guarda-redes gerou muita polémica. Nomes como Quim ou Rui Patrício ficaram de fora para que Daniel fosse chamado à selecção. Nenhum dos críticos concorda com esta opção, sendo inteiramente uma aposta de Queiroz. Contudo, a sua convocação é, teoricamente, irrelevante, pois só com lesões de Eduardo e Beto terá oportunidade de jogar.
Paulo Ferreira – 60 Int. – O lateral que José Mourinho disse que nunca seria o melhor em campo, mas que nunca falharia em jogo nenhum. Paulo Ferreira é um dos elemento com grande experiência, jogo colectivo e espírito de entreajuda. Com a lesão de Bosingwa, disputará com Miguel a vaga de lateral-direito, dando garantias de que, a defender, Portugal poderá estar tranquilo.
Miguel – 54 Int. – O lateral-direito foi convocado graças à ausência de Bosingwa. Miguel participou apenas num jogo de apuramento (Albânia em casa) e desde então que não era chamado por Queiroz. O jogador está na pior fase da sua carreira, coleccionado vários problemas de indisciplina no seu clube. Na sua melhor forma, é rápido, consistente, precioso nos cruzamentos e no apoio ao ataque. Espera-se que o segundo apareça.
Rolando – 8 Int. – Face à concorrência, o central parte como reserva dos titulares, embora ofereça garantias de poder defrontar qualquer adversário. Forte no jogo aéreo, com bom sentido posicional e desarme limpo, não será pela posição de defesa-central que Portugal terá problemas.
Ricardo Carvalho – 61 Int. – O líder da defesa desde 2004, época onde assumiu a herança de Fernando Couto. É um dos melhores centrais da Europa, apesar de estar a entrar na fase descendente da sua carreira. Carvalho é rápido, forte no jogo aéreo, excelente na marcação e no desarme.
Bruno Alves – 28 Int. – Forma com Ricardo Carvalho uma dupla de classe Mundial. Bruno Alves é um dos centrais mais impetuosos do futebol europeu e Portugal deve-lhe – e muito! – a qualificação para o Mundial, pois marcou 3 golos absolutamente decisivos para as contas do apuramento. Por Bruno Alves ou passa a bola… ou passa o jogador; os dois, nunca!
Ricardo Costa – 6 Int. – Maior surpresa era impossível. Não era chamado à selecção desde 2006 e tem sido fustigado por lesões no último ano. Ainda assim, a sua polivalência foi a chave para a sua convocatória, uma vez que pode alinhar em qualquer posição da defesa. Ricardo Costa será, no bom sentido, o tapa-buracos.
Duda – 14 Int. – Outra grande aposta de Queiroz. O seleccionador exprimentou-o, há um ano, a lateral-esquerdo e o jogador não mais saiu dessa posição. É uma aposta de risco, uma vez que Duda é extremo de raíz. O jogador garante bastante profundidade ofensiva, mas a defender deixa muito a desejar. O cruzamento e as bolas paradas são a sua arma. Ainda assim, deverá ser o titular esquerdo da defesa.
Fábio Coentrão – 2 Int. – O novo “puto” da equipa das quinas foi premiado pela boa época que realizou. Coentrão é inexperiente no panorama do futebol internacional, mas a sua qualidade é inegável. Alguns adeptos acreditam que haverá uma surpresa e que Queiroz apostará no jovem para a posição de lateral-esquerdo, em detrimento de Duda. Velocidade e imprevisibilidade são as armas a seu favor
Pepe – 24 Int. – A incógnita… e o jogador-chave. Em condições normais, Pepe é titularíssimo e, talvez, o jogador mais importante da selecção portuguesa. Contudo, o jogador teve uma grave lesão que o afastou do relvado durante meses, levando toda a gente a crer que falharia o Mundial. Pepe conseguiu recuperar, mas a sua condição física está longe de ser a ideal. Pepe é um exímio recuperador de bolas, pelo ar ou pelo chão, e um trinco todo-o-terreno. Com ele, Portugal é consideravelmente mais forte.
Pedro Mendes – 6 Int. – Regressou à selecção para disputar os play-offs e convenceu Queiroz. Pedro Mendes é um dos jogadores mais disciplinados tacticamente na selecção. Bom no passe, remate e leitura de jogo, será o trinco da equipa caso Pepe não recupere.
Miguel Veloso – 11 Int. – Chegou a esperar-se que ficasse de fora, mas Queiroz acabou por apostar no médio. Miguel Veloso será uma alternativa para Deco ou Raúl Meireles, garantindo força, disponibilidade física e conservação da possa de bola ao meio-campo lusitano.
Raúl Meireles – 32 Int. – O médio afirmou-se na selecção e espera-se que seja um dos elementos de maior rendimento no Mundial. Meireles é responsável pela organização do meio-campo, sendo o distribuidor de jogo ofensivo. Além disso, ocupará a posição mais fatigante do terreno, pois terá de servir de apoio aos avançados e aos defesas. Foi dele o golo que confirmou a vitória frente à Bósnia no play-off.
Tiago – 28 Int. - Era titular no meio-campo da selecção, mas acabou por perder o lugar para Meireles, embora seja por culpa da qualidade do seu companheiro. Tiago é um médio elegante, que sabe sair a jogar com bola no pé, sendo precioso nas assistências e apoio aos atacantes. Será um elemento a lançar no jogo caso falte criatividade no meio-campo.
Deco – 72 Int. – O mágico já anunciou que se vai retirar da selecção após o Mundial. A velocidade já não é a de outros tempos, mas a qualidade de passe, visão e leitura de jogo parece eterna. Deco será o criativo da selecção, embora haja quem defenda que Tiago deve jogar no seu lugar. Queiroz já avisou que espera que Deco – a par de Ronaldo – seja a figura da selecção no Mundial.
Simão – 80 Int. – É o mais internacional dos convocados e um elemento imprenscindível. O extremo é um desequilibrador nato e um dos melhores jogador da selecção nos últimos anos, embora tenha vivido, primeiro, na sombra de Figo e agora de Ronaldo. A luta pela titularidade será com Nani, traduzindo-se numa boa dor de cabeça para Queiroz. No onze ou no banco, Simão será sempre uma opção de ouro.
Danny – 9 Int. – Foi Queiroz quem o convocou para a selecção pela primeira vez. Esteve lesionado durante seis meses, mas continuou a merecer a confiança do seleccionador. Não será titular da selecção, mas será sempre uma opção útil quando for necessário colocar maior velocidade e e frescura no ataque. Em dia sim, pode protagonizar bons jogos.
Nani – 35 Int. – Vários críticos e adeptos defendem que Nani será a estrela maior da selecção portuguesa, ao invés de Ronaldo. O extremo fez uma época de grande nível em Manchester, afirmando-se definitivamente no futebol mundial. Ainda assim, a sua titularidade ainda não é garantida, sendo que esta será disputada com Simão. Velocidade, finta, golos, capacidades de explosão e irreverência são as armas que Queiroz terá à sua disposição no jogador. No mundo do futebol espectáculo, Nani terá sempre de jogar.
Cristiano Ronaldo – 70 Int. – Idolatrado em Manchester, em Madrid… mas contestado na selecção. Cristiano Ronaldo foi um dos elementos com mais baixo rendimento durante o apuramento, não marcando nenhum golo pela selecção há mais de um ano. É indiscutivelmente um dos melhores jogadores do mundo, mas continua sem exibir esse nível na selecção portuguesa. Muito do que Portugal fizer no Mundial dependerá do Ronaldo que tiver. Esperamos o melhor.
Liedson – 8 Int. – Muitos questionaram o porquê de naturalizar um jogador que já conta com 32 anos e espera-se que Liedson saiba dar a resposta em campo. O avançado é um jogador singular nos quadros da selecção, acrescentando qualidade e veia goleadora à equipa. Deverá ser o titular e espera-se que consiga fazer golos a todos os adversários. Sim, ao Brasil também!
Hugo Almeida – 25 Int. – Um tanque de força, potência e resistência, Hugo Almeida perdeu a hipótese de ser titular indiscutível após a naturalização de Liedson. Ainda assim, será sempre um elemento importante na equipa, quer pela sua estatura, quer pela sua presença na grande área adversária. Com a equipa a perder, entrará automaticamente em campo.
Equipa base (com suplentes):
Eduardo (Beto); Paulo Ferreira (Miguel), Bruno Alves (Rolando), Ricardo Carvalho (Ricardo Costa), Duda (Fábio Coentrão); Pepe (Pedro Mendes), Deco (Tiago), Meireles (Miguel Veloso); Ronaldo (Danny), Simão (Nani), Liedson (Hugo Almeida).
Portugal vai jogar num 4x3x3 clássico, onde apostará no jogo de passe e posse de bola no meio-campo, na criatividade e velocidade dos extremos e na presença na grande área por parte do ponta-de-lança. Os laterais apoiarão o ataque unilateralmente e o trinco não ultrapassará a linha da bola. O resto, serão Ronaldo, Deco e companhia a fazer!
Os pontos fortes da Selecção:
- Segurança defensiva: Portugal consentiu apenas 5 golos na fase de apuramento, muito por culpa das boas exibições das duplas-de centrais e do guarda-redes Eduardo. O centro da defesa é um dos pontos mais fortes da selecção.
- Extremos: Ronaldo, Nani e Simão são jogadores de classe mundial e, tendo em conta que apenas dois jogarão de início, garantem a Queiroz uma opção de ouro no banco de suplentes. A capacidade de finta dos extremos portugueses é ilimitada e espera-se que façam a diferença no ataque.
- Motivação individual: Para alguns jogadores, esta será a última hipótese de brilharem numa grande competição internacional. Só por si, isso já se traduz numa grande motivação. Além disso, vários jogadores tentarão impressionar os centenas de olheiros que vão estar presentes no Mundial, de modo a que grandes equipas avançem para as suas contratações.
Os pontos fracos da Selecção:
- Laterais: Bosingwa é o único lateral português de elite, mas sofreu uma lesão que o afastou da competição. Duda e Fábio Coentrão são adaptações, Miguel está em má forma física e psicológica. A única opção segura para as laterais é Paulo Ferreira. Sem Pepe a ajudar nas tarefas defensivas, as faixas laterais serão o calcanhar de Aquiles da selecção.
- Liderança: Depois de Fernando Couto e de Luís Figo – líderes carismáticos, solidários e exemplares – Portugal ainda não conseguiu encontrar um líder que reúna consenso entre adeptos e equipa. Ronaldo é o actual capitão, mas é-o devido ao seu prestígio no futebol Mundial. O próprio Carlos Queiroz ainda não conseguiu criar o efeito de união e solidariedade que existia na “geração Scolari”.
- Condição dos jogadores: Pepe ainda está em recuperação da lesão sofrida; Meireles, Simão, Ronaldo e Nani fizeram mais de 50 jogos na última época; Miguel, Ricardo Costa e Danny estão em má condição física. É certo que as outras selecções apresentam problemas idênticos, mas tendo em conta que no Mundial se podem disputar até três jogos em 10 dias, o factor físico será de extrema importância e cuidado.





Parabéns ao João Ruela por mais um excelente artigo de desporto e pelos seus comentários no programa. Gostaria de o ver publicar artigos com maior frequência.
Jorge