Está satisfeito com o que fez ao longo dos cinco anos à frente da ESTA?
Fiz aquilo que devia, mas não fiquei completamente satisfeito porque acha que se pode fazer sempre um bocado mais do que aquilo que fizemos. Uma pessoa fica sempre com pena de não ter feito mais. Gostaria de ter deixado o Laboratório de Conteúdos pronto a funcionar, gostava de deixar a ESTATV a funcionar. Essas são duas das coisas que gostava de ter feito e que provavelmente não terei tempo. Também gostava de deixar um Centro de Estudos ligado à área da Comunicação, das Ciências e da Economia, que espero ainda poder vir a concretizar. Tenho pena ainda de outra coisa, que é não ter conseguido um quinto curso a funcionar permanentemente para a ESTA. Um outro projecto que eu tenho pena de não ter levado a cabo é o da mudança para as novas instalações. Mas não depende só de mim. O que é gratificante, mais ainda do que terminar os projectos, é lançar os projectos e vê-los a andar e a entrar nos carris para que venham de facto a ser terminados.
Orgulha-se do que fez na ESTA?
Não há nada que eu ache que tenha feito de forma brilhante; acho que cumpri a minha missão e que cumpri o meu dever. Não fiz nada de mal e acho que dei o meu melhor. Portanto, isso satisfaz-me. Estou satisfeito com o período em que fui director, estou satisfeito com a colaboração que tive dos docentes, estou satisfeito com o comportamento, na generalidade, dos alunos. Gostei de ser director da ESTA. Se me orgulho, acho que podemos todos fazer sempre melhor.
Como é que explica a suspensão de um curso e a abertura de outro?
Vivemos numa era de mercado e os nossos cursos são produtos. E na era em que vivemos os produtos têm um ciclo de vida cada vez mais curto. Sendo assim, nós temos que ter permanentemente em carteira uma série de cursos que possamos lançar para suprir o envelhecimento de outros. Essa criação permanente de alternativas e de novos cursos é uma das tarefas do director da escola e dos directores de departamento.
Vai continuar ligado à ESTA?
Eu espero continuar a ter tempo para me envolver nalguns desses projectos, designadamente no projecto da ESTATV, do Laboratório de Conteúdos e do Centro de Estudos.
Eu, propriamente, não desenvolvi projectos. Eu simplesmente dei continuidade aos projectos que já exisitiam. Há uma ideia em Portugal que é nefasta para as direcções que é a ideia de que são os directores e os presidentes que fazem as coisas. Não são. É mentira. Quem faz são as pessoas que estão no terreno. Quem fez os projectos aqui foram os docentes, não fui eu. A minha tarefa não é lançar projectos; a minha tarefa é criar condições para que os professores lancem projectos. E apareceram vários. Nós fomos a primeira escola do Politécnico a lançar os Cursos de Especialização Tecnológica (o IPT é o terceiro a nível nacional ao nível de alunos). E esse projecto não fui eu que o desenvolvi, foram os docentes desta escola e particularmente os docentes da área de Tecnologia da Informação e da Comunicação. Temos um mestrado de Manutenção Técnica de Edifícios no departamento de Engenharia Mecânica e não fui eu que fiz esse projecto. O projecto foi feito pelos professores e é muito importante porque foi feito entre duas escolas do Politécnico.
Aquilo de que me orgulho é de ter estimulado as pessoas a levarem a cabo estes projectos. Também me orgulho de uma outra coisa que eu acho que fiz relativamente bem e que espero que o meu sucessor venha a dar continuidade, que é a abertura da Escola à cidade de Abrantes. Isso levou a cidade de Abrantes a compreender, espero eu, que a ESTA é um parceiro, não só ao nível do ensino, mas a todos os níveis.
Vai continuar a leccionar a disciplina de Sociologia da Comunicação na ESTA?
A actividade nobre no ensino não é dirigir, é ensinar e investigar. A promoção no ensino é atingir o patamar máximo e ser consagrado pelos seus pares. Eu gosto de ensinar. Essa disciplina não tem docente para a leccionar na ESTA, por isso vou continuar.
Como é que vê o seu sucessor?
É um colega que estimo e que aprecio, e por quem tenho toda a consideração e respeito. Estou convencido de que vai fazer o melhor que souber e que puder pela ESTA. E acho que o melhor que ele souber e puder vai ser muito bom, provavelmente até melhor do que aquilo que eu fiz. É um homem da casa, é um homem que conhece esta escola muito bem, que já cá está há muito tempo. É uma pessoa qualificada, é uma pessoa inteligente, é uma boa pessoa.
Que conselhos é que lhe vai dar?
Não lhe vou dar conselhos, vou apenas transmitir a informação de que disponho.
Passar para vice-presidente do IPT é subir na carreira?
Passar para vice-presidente não é subir na carreira, é uma responsabilidade maior. Todos os desafios são aliciantes. É uma nova tarefa e uma tarefa que eu acho que é importante. Além disso, fui desafiado para essa tarefa pessoas por quem tenho toda a consideração. Tudo o que essas pessoas me pedirem, eu faço, porque sei que não me vão pedir nada que seja mau para mim.
Como é que vê o crescimento da ESTA ao longo destes dez anos?
A ESTA é necessária. Se não fosse necessária não tinha crescido. O facto de ser necessária mostra que havia uma necessidade local de ensino superior. É essa a principal razão por que a ESTA cresceu tanto numa década.
Que mensagem é que gostaria de deixar à comunidade académica da ESTA?
A mensagem aos alunos e ao corpo docente, que continuem a trabalhar, tentando compreender o mundo em que vivemos e que, sobretudo em momentos difíceis, não podemos levar sempre avante aquilo que queremos. Temos que negociar e temos que compreender que os outros têm direitos e que têm necessidades. E temos que cooperar uns com os outros. E se isso acontecer, a ESTA será melhor. A escola é constituída por professores, funcionários e alunos e se estes três grupos de pessoas derem o seu melhor, a ESTA pode melhorar.




