“Primeiro estranha-se e depois entranha-se”. São estas as palavras de Ana Martins, no que diz respeito às quotas de participação feminina na política. Esta cidadã portuguesa diz que, como em todas as situações, os portugueses no início não vão ver esta nova lei com “muito bons olhos”, isto porque “estão habituados a ver mais homens do que mulheres na política e têm a ideia de que os homens é que têm todo o poder para participar e mudar os problemas do nosso país”.
Ana diz ainda que não é nem contra nem a favor desta lei que tem o nome de Lei da Paridade. Mas defende, que se esta lei vier mudar Portugal para melhor, então, há que apostar nela.
A Lei da Paridade, que foi aprovada em Agosto de 2006, estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33,3% de cada um dos sexos. As quotas femininas têm como objectivo fazer com que as mulheres tenham uma participação maior na política para assim se conseguir alcançar, finalmente, uma paridade de géneros neste meio.
Cláudia Oliveira, aluna de Comunicação Social da ESTA, tem uma opinião bastante marcada a favor da participação das mulheres na política: “Hoje em dia existe muito machismo e assim pode-se combater um pouco mais isso.” Cláudia diz ainda que acha bem ser obrigatória a participação das mulheres na política “porque assim vemos as mulheres a lutarem pelos nossos ideais”.
Valter Filipe Marques, um dos novos jovens na política, é da opinião de que o facto de existir uma lei que procura um equilíbrio entre os homens e as mulheres na política é positivo. “Assim as mulheres ganham cada vez mais destaque na sociedade portuguesa e ocupam lugares de grande importância”. Valter acrescenta ainda que “a política continua a ser uma coisa de homens”. Este jovem criou uma lista para concorrer a uma Junta de Freguesia e reconhece que não foi fácil conseguir “arrastar” mulheres para a sua lista, isto porque a sua freguesia tem cerca de 800 eleitores, e o que a lei diz é que se uma Junta de Freguesia tiver mais de 750 eleitores é obrigatório cumprir os 33,3% de mulheres na lista. Valter só não concorda com esta parte da lei e diz que nas freguesias devia ser obrigatório os 33,3% só a partir dos 1500 eleitores.
Apesar destas vantagens que são apresentadas por Valter e por Cláudia, continua a haver pessoas que não concordam com a Lei da Paridade e há até quem tenha a opinião de que “não adianta de nada ter mulheres na política, todos nós sabemos que não vai ser assim que o nosso país vai andar para a frente”. Desengane-se quem pensa que estas palavras foram ditas por um daqueles homens machistas que dizem que a política é só para homens. Não, estas palavras foram ditas por uma senhora de 71 anos que se chama Hortense Paiva. A D. Hortense lembra como era há muitos anos: “Quando era mais nova nem sequer podia pensar em ocupar um lugar na política ou algo desse género. O nosso papel era ficar em casa a tratar dos filhos e do marido e a fazer a lida da casa”. Esta senhora, que ficou muito admirada com esta nova Lei, disse ainda que apesar de o tempo de Salazar já ter acabado há já alguns anos, o papel das mulheres pouco ou nada mudou. “Continuamos a ter de ficar em casa a fazer aquilo que sempre fizemos, a única coisa que muda é que hoje em dia as mulheres podem sair de casa para trabalhar, tal e qual como os homens fazem!”
por Daniela Santos




